sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

Merci, Madame Pelicot!


Merci, madame! Sua coragem e seu sofrimento nos fizeram chorar mais uma vez, em um ano já marcado por guerras insanas e atrocidades cometidas pelo mundo afora.

Mas você, você não, sua guerra foi irracional, solitária, silenciosa, profunda.

Jogada no campo inimigo por aquele que deveria ser o parceiro de batalha! Lutaste bravamente! Resistiu, mesmo de mente e mãos atadas! Somente dormindo poderiam lutar contra sua grande força!

Dormiste com o inimigo, mas despertastes! Egalité! Fraternitè!

Sim, sua coragem acordou uma cidade inteira, um país, o mundo! Acordem, pois ao redor de mulheres frágeis e temporariamente indefesas, existem seres humanos sem qualquer humanidade!

Acordem Mulheres, não se envergonhem! Acordem homens de caráter, reajam!  

Acordem todos! Olhe ao redor, reaja, apoie, acredite, acolha, se coloque no mesmo lugar, ame e se não for possível, simplesmente proteja!

quinta-feira, 15 de abril de 2021

Terra Fértil


A Covid chegou.
Está na Itália.
Estamos a salvo!

Chegou na Espanha.
Não pode ter festa?
Não pode ter baile?

A Covid chegou na Alemanha.
Será um Vírus?
Uma Bactéria?

Chegou na Inglaterra.
Brexit tardou.
Brexit urgente!

A Covid chegou na América.
Guerra biológica!
Malditos chineses!

Chegou no Brasil.
Doença de ricos.
Doença de fracos.

Precisamos ficar em casa.
E o meu comércio?
E meu Carnaval?

A Covid congestiona os hospitais.
Há outras mortes!
Há outras doenças!

A Covid colapsa o sistema de saúde.
É só uma gripe!
A mídia exagera!

A Covid está matando rapidamente.
Só morrem idosos!
Só morrem doentes!

A Covid está matando dezenas.
É só uma gripezinha!
É só mi mi mi!

A Covid está matando centenas.
Quem manda na saúde sou eu!
Quem manda no ministro sou eu!

Precisamos nos isolar.
E a economia?
E a religião?

A Covid vai se alastrar.
Este ministro quer aparecer!
E minha reeleição?

A Covid matou 100mil
Quer que eu faça o quê?
Não sou coveiro!

A Covid matou 200mil
Máscara pra quê?
Isolar pra quê?

A Covid matou 300mil
Quero nome e sobrenome!
Experimenta esse kit!

A Covid levou meu vizinho.
A Covid levou o deputado.
A Covid levou o escritor.
A Covid levou a vovó.
A Covid levou o titio.
A Covid levou o Pastor.
A Covid levou minha mãezinha
A Covid levou o Cantor.

A Covid levou a sanidade.
A Covid levou a alegria.
A Covid levou o bom senso.

A Covid levou quase tudo. 
Mas deixou pra trás a discórdia,
Deixou pra trás o egoísmo,
Esqueceu de levar os malucos,
Deixou pra trás gente insana

A Covid quer ficar por aqui,
A Covid não quer ir embora, 
A Covid aqui tem ajudantes,
A Covid aqui tem mão cheia.

Se o penhor dessa igualdade...
Desafia o nosso peito a própria morte...

De amor e de esperança...

A Terra desce...


Eliz Marçal - abril 2021








sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Desencontros



As vezes acordo e penso em você

Passo o dia inteiro assim

Imaginando que irei vê-lo

a qualquer momento


Nas ruas da cidade

Ao parar num sinal fechado

Na porta de um cinema

No intervalo de um show


Imagino-me sorrindo

Correndo pra seus braços

Que me apertam forte

E não me deixam mais


Elizângela Marçal/1999




segunda-feira, 6 de abril de 2020

Apocalipse 6:2

A hora não vai chegar de repente
Vai vir manchando aos poucos
Um sinal aqui outro acolá
Borrando o que era límpido
Maculando nossas mentes
Mudando valores
Impondo conceitos
Criando necessidades
Aumentando futilidades
Filho contra pai, mãe e avô
Egoísmo crescente
Ganância crescente
Fome crescente
Morte crescente
Líderes confusos
Problemas globais

Soluções Globais?
Pimba! eis o homem
Tenho a solução!
Sim, sim, gritarão todos
Eis o enviado!

E você irmão, ouvirá o soar da trombeta?

Eliz Marçal/mar 2020

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Resignation

E não é que a dor aumenta?
E que o tempo faz piorar?
E a gente fica juntando os pedaços
Fica tentando lembrar dos sorrisos
Fica tentando lembrar dos abraços
Fica tentando não chorar
Fica querendo seguir sorrindo
Não querendo acreditar

Mas a tristeza acha lugar
Arruma um local num cantinho
e a cada música ouvida
cada foto esquecida
cada lembrança repetida
Escurece o caminhar

Acho que é assim que aceitamos
A morte ao nosso redor
Vai ficando tão escuro
A cada perda sofrida
Cada injustiça cometida
Que também vamos desejando
Ir logo daqui para lá


Elizangela Freitas Marçal / jun 17