E o pais sonhava de novo
Outubro se aproximava
A bandeira seria vermelha
Ou o Azul ressurgiria?
Deixar a mulher no comando
Prouni, pró-pobre e bolsinhas
Ou dar corda ao Mauricinho
Neto das Neves, famosinho
Sugador das tetas de Minas
Será que a dona sabe das coisas?
Também recebia propina?
Ou só queria ajudar as massas
Com socialistas doutrinas?
Das ciências e fronteiras
Abriu acessos e meios
Mas nos discursos e eventos
Abusou da metáfora
Pisou na jaca
“comum-de-dois”
Que nada!
Eu Presidenta!
Mas o Coroné
Ficou louco
Não aceitou a rejeição
E limpo tal pau de galinheiro
Bagunçou a Nação
Vem pra Rua
Vem pra Rua
Quero de volta meu Brasil
Meu esquema
Minhas Furnas
Meu ordenado
Minha fração
E no meio da confusão
Apareceu um cachorro grande
De estirpe, Toga, filiado
Chega de petróleo roubado
Chega de corrupto estrelado
Prendeu banqueiros e chefes
Coagiu molusco e diretores
Popularizou habeas corpus,
Habeas data, habeas tudo
Suprema corte virou dia-a-dia
Liminar virou piadinha
Senado e câmara picardia
“A Constituição nos dá autonomia!”
Hoje tem marmelada?
Tem sim, Senhor!
Hoje tem maracutaia?
Tem sim Senhor!
Hoje tem conta no exterior?
Tem não Senhor!
E o Palhaço quem é?
É o Povo, sempre o Povo
E a nação dividida
adestrada e animada
assistiu ao espetáculo
da bancada enlameada
dizendo a altos brados
Sim! Sim! Sim!
O chefe agora era outro
Douto e de falar cuidado
Deixou linguistas animados
Empresariado conformado
A massa desempregada
Como sempre desorientada
Esquerda e direita brigando
Em rede social se engalfinhando
Mas então começaram os cortes
Procedimentos de ajustes
“A Fazenda precisa crescer!
A direita sabe o que fazer”
E não é que o Velhinho
Bastante desatualizado
Esqueceu da igualdade dos gêneros
Há tanto tempo solicitada?
Descartando a dignidade
Em 88 consagrada!!
Lugar de mulher é em casa!
Faz bem pra toda família
E o homem até morrer trabalhando
Com mais de 70 labutando...
E totalmente equivocado
Fazendo História ao contrário
Quer agora colocar
Como sonho inalcançável
A ideia de aposentar
“A previdência está quebrada,
Vamos trabalhar!
Como seguir com nosso circo?
Quem garante as regalias?
E os nossos mil benefícios?”
Eu trabalho desde os 18!
Estou deveras assustada!
Quero um dia descansar!
Digo em vida!
Em vida!
Vem pra rua!
Vem pra rua!
Pare tudo!
Vem pra rua!
Talvez ainda haja um jeito,
E o seu grito em coro com o meu
Desperte os anjos de Deus
E retire de Brasília
Tanto egoísmo, incoerência
Por milagre talvez
A força, melhor não
Colocando nas duas casas
Ética e abnegação
Vem pra rua!
Vem pra rua!
Elizângela Freitas Marçal – 15/03/2017
