quarta-feira, 14 de junho de 2017

Resignation

E não é que a dor aumenta?
E que o tempo faz piorar?
E a gente fica juntando os pedaços
Fica tentando lembrar dos sorrisos
Fica tentando lembrar dos abraços
Fica tentando não chorar
Fica querendo seguir sorrindo
Não querendo acreditar

Mas a tristeza acha lugar
Arruma um local num cantinho
e a cada música ouvida
cada foto esquecida
cada lembrança repetida
Escurece o caminhar

Acho que é assim que aceitamos
A morte ao nosso redor
Vai ficando tão escuro
A cada perda sofrida
Cada injustiça cometida
Que também vamos desejando
Ir logo daqui para lá


Elizangela Freitas Marçal / jun 17

quinta-feira, 16 de março de 2017

VEM PRA RUA!


E o pais sonhava de novo
Outubro se aproximava
A bandeira seria vermelha
Ou o Azul ressurgiria?
Deixar a mulher no comando
Prouni, pró-pobre e bolsinhas
Ou dar corda ao Mauricinho
Neto das Neves, famosinho
Sugador das tetas de Minas

Será que a dona sabe das coisas?
Também recebia propina?
Ou só queria ajudar as massas
Com socialistas doutrinas?
Das ciências e fronteiras
Abriu acessos e meios
Mas nos discursos e eventos
Abusou da metáfora
Pisou na jaca
“comum-de-dois”
Que nada!
Eu Presidenta!

Mas o Coroné
Ficou louco
Não aceitou a rejeição
E limpo tal pau de galinheiro
Bagunçou a Nação
Vem pra Rua
Vem pra Rua
Quero de volta meu Brasil
Meu esquema
Minhas Furnas
Meu ordenado
Minha fração

E no meio da confusão
Apareceu um cachorro grande
De estirpe, Toga, filiado
Chega de petróleo roubado
Chega de corrupto estrelado
Prendeu banqueiros e chefes
Coagiu molusco e diretores
Popularizou habeas corpus,
Habeas data, habeas tudo

Suprema corte virou dia-a-dia
Liminar virou piadinha
Senado e câmara picardia
“A Constituição nos dá autonomia!”
Hoje tem marmelada?
Tem sim, Senhor!
Hoje tem maracutaia?
Tem sim Senhor!
Hoje tem conta no exterior?
Tem não Senhor!
E o Palhaço quem é?
É o Povo, sempre o Povo

E a nação dividida
adestrada e animada
assistiu ao espetáculo
da bancada enlameada
dizendo a altos brados
Sim!  Sim! Sim!

O chefe agora era outro
Douto e de falar cuidado
Deixou linguistas animados
Empresariado conformado
A massa desempregada
Como sempre desorientada
Esquerda e direita brigando
Em rede social se engalfinhando

Mas então começaram os cortes
Procedimentos de ajustes
“A Fazenda precisa crescer!
A direita sabe o que fazer”

E não é que o Velhinho
Bastante desatualizado
Esqueceu da igualdade dos gêneros
Há tanto tempo solicitada?
Descartando a dignidade
Em 88 consagrada!!
Lugar de mulher é em casa!
Faz bem pra toda família
E o homem até morrer trabalhando
Com mais de 70 labutando...

E totalmente equivocado
Fazendo História ao contrário
Quer agora colocar
Como sonho inalcançável
A ideia de aposentar
“A previdência está quebrada,
Vamos trabalhar!
Como seguir com nosso circo?
Quem garante as regalias?
E os nossos mil benefícios?”

Eu trabalho desde os 18!
Estou deveras assustada!
Quero um dia descansar!
Digo em vida!
Em vida!

Vem pra rua!
Vem pra rua!
Pare tudo!
Vem pra rua!

Talvez ainda haja um jeito,
E o seu grito em coro com o meu
Desperte os anjos de Deus
E retire de Brasília
Tanto egoísmo, incoerência
Por milagre talvez
A força, melhor não
Colocando nas duas casas
Ética e abnegação

Vem pra rua!
Vem pra rua!



Elizângela Freitas Marçal – 15/03/2017

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Morte e saudade





A morte nos faz sentir saudades...

Mas o que é mesmo saudade? É vontade de ter novamente o que está longe, o que já passou, o que trazia alegria, o que cheirava bem. 

Quando a saudade bate, o coração fica pequeno, o peito aperta, o ar diminui e você precisa de colo, um abraço apertado ou uma piada boa. 

Quase sempre a saudade traz medo: de perder outros, de não ver, de não poder, de não ser.

A saudade faz você valorizar mais, amar mais, viver mais.

Assim a morte traz vida, porque ela traz saudade...

Elizângela Marçal - jan/17

Consolo pra irmã


Vamos menina, levante!
Coloque a tristeza de lado,
Tire a viola do saco
A angústia precisa partir

Novo dia está chegando
Por que não acreditar?
A chuva já está mais fina
E o sol de novo vai brilhar

Memórias boas batem à porta
Papagaios, crianças e bolas
Querem jogar, pular, competir

Vamos que o dia vem vindo!
As gargalhadas estão na varanda

E lá em cima você o verá...


Elizângela Freitas Marçal/ set 2016